10 dicas para lidar com o TDAH

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Imagem: Canstock.

A rotina de pais e responsáveis de crianças com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, o TDAH, pode ser cansativa ou mesmo frustrante, pelo menos até que eles se adaptem à situação. Entretanto, algumas ações conseguem ajudar a família a viver melhor com o diagnóstico – e parte delas deve surgir dos adultos mesmo, já que eles vão ajudar a criança a vencer os desafios diários e canalizar a energia para algo positivo.

“Quanto mais cedo a criança tiver ajuda apropriada para gerenciar as consequências do TDAH, melhores serão as chances de ter uma vida bem-sucedida no futuro e mais qualidade de vida no presente”, afirma a neuropediatra Karina Weinmann. A seguir, confira algumas recomendações capazes de tornar o dia a dia mais fácil:

  1. Estabeleça uma rotina. Estabelecer hora e local para todas as atividades é fundamental, desde as mais básicas, como comer e tomar banho, até a lição de casa e o momento de brincar. “Pode fazer agenda, calendário… Quanto mais visual, melhor. Em uma cartolina mesmo, dividida por dias da semana, os adultos e as crianças podem, por exemplo, combinar que só o que estiver em amarelo vai ser executado em casa; azul é período de escola; vermelho é hora de se alimentar e assim sucessivamente”, indica a psicopedagoga e fonoaudióloga Sheila Leal.

  2. Mantenha o ambiente organizado. Os objetos que as crianças mais usam devem estar sempre no mesmo lugar e separados por tipos – os adultos podem ensiná-las a guardar as coisas no local correto e escolherem juntos qual o melhor lugar para cada uma. “A criança precisa ter um mediador, seja o responsável, o cuidador, o professor, que vai tomar a iniciativa. É interessante, por exemplo, colocar as coisas em caixinhas nomeadas: lápis de cor, cuecas, calcinhas. Sempre estar organizando: quanto mais física a organização, melhor para a criança, porque ela não consegue perceber a bagunça do ambiente, então precisa desses mecanismos, que vêm com a ajuda de outras pessoas”, explica Sheila.

  3. Cuide para que as crianças tenham boas noites de sono e investigue possíveis distúrbios. “O distúrbio do sono afeta a qualidade e a quantidade do sono, gerando a chamada fadiga diurna crônica. Portanto, para quem tem TDAH, é vital o diagnóstico e tratamento desse distúrbio, porque ele aumenta a desatenção, a inquietação, a irritabilidade e o cansaço”, avisa a psicóloga Marily Silva Fortunato. À noite, desacelere as atividades em casa, abaixando o volume dos sons e realizando atividades tranquilas. Carinhos e afagos também ajudam a criança a desacelerar e oferecem segurança.

  4. Mantenha uma alimentação equilibrada.  O ideal é oferecer sempre opções naturais, no horário certo. “Muitas vezes, a inquietação leva a pessoa a beliscar o dia inteiro. Quando a quantidade de comida aumenta, o comer pode virar uma compulsão e come-se estando ou não com fome”, ressalta Marily. É importante ficar de olho se o pedido por comida, portanto, é fome ou apenas agitação.

  5. Respire fundo. As crises vão surgir e, nesse momento, o melhor a fazer é ter paciência para pensar antes de agir, para não responder da mesma forma que a criança. “No TDAH, a impulsividade é neurológica e gera a imediata transformação de pensamentos e emoções em atos, mas o conteúdo dessa impulsividade é psíquico. Portanto, é necessário saber lidar com birras e crises de raiva, pois crianças que apresentam esse transtorno podem demonstrar comportamentos onde suas ações possam refletir no modo como elas se sentem em relação à vida. Quando algo dá errado, elas podem se sentir muito frustradas e apresentarem-se extremamente agressivas, descontando em pessoas ou coisas ao redor”, explica a psicóloga.

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    Imagem: Casntock.
  6. Cuide de você. Para cuidar de alguém, é preciso estar primeiro com a saúde em dia. Portanto, coma de maneira saudável, pratique exercícios e gerencie o estresse, consultando profissionais, se necessário. Grupos de pais com crianças com TDAH também podem ajudar nas experiências diárias.

  7. Celebre as pequenas conquistas. Caso as normas estabelecidas em casa não forem cumpridas, os adultos devem explicar às crianças que isso tem consequências. Mas nem por isso a tarefa não cumprida deve ser encarada como um grande problema, se a criança conseguiu completar as outras. “O excesso de críticas é prejudicial, portanto, procure elogiar quando a criança apresentar bons comportamentos”, recomenda Karina.

  8. Não é só medicação. Quando ela é indicada, seguir as orientações médicas é imprescindível, mas não é só o medicamento que vai tratar o TDAH. Como para qualquer criança saudável, a criança com o transtorno precisa de todos os cuidados comuns do dia a dia, desde suprir as necessidades vitais até cuidar da vida social. Incentive que a criança faça amigos e seja honesto com ela, explicando sobre os desafios. Se houver insegurança, convide os amigos e supervisione as brincadeiras, intervindo em caso de mau comportamento e elogiando o bom comportamento.

  9. Converse com professores e com a equipe multidisciplinar. Explicar sobre a situação da criança para os funcionários da escola pode melhorar a compreensão deles e dos colegas de sala. Funcionários bem preparados, aliás, contribuem inclusive para descobrir o transtorno em crianças que ainda não foram diagnosticadas. “As escolas e mais precisamente, os professores, precisam estar atentos para identificar precocemente os sintomas e encaminhar a criança para uma avaliação com profissionais da área de saúde, pois assim terão um diagnóstico preciso”, salienta Marily.

  10. Veja o lado bom da vida! Muito do comportamento da criança está relacionado com o TDAH, por isso, na maioria das vezes as atitudes não são intencionais. Manter o senso de humor, portanto, é essencial. “O que é embaraçoso hoje pode se tornar uma história de família engraçada daqui alguns anos”, comenta Karina.

 

 

Por Marisa Sei
Nossas fontes:
Karina Weinmann, neuropediatra da NeuroKinder

Marily Silva Fortunato, psicóloga e professora do curso de Pedagogia da Anhanguera de Piracicaba (SP)
Sheila Leal, psicopedagoga e fonoaudióloga, especialista em desenvolvimento infantil

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