Como o brincar ajuda a criança a ser independente?

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Imagem: Freepik.

Nesta matéria, divulgada pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, o Professor Titular do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, Lino de Macedo, traz várias e importantes provocações para refletir sobre o brincar nos primeiros anos de vida.

 

A criança nasce totalmente dependente do adulto. Quando passa a interagir com objetos e com seus pares, ela começa a se tornar independente, já que o mediador dessas situações é o próprio comportamento.

 

Os pequenos descobrem as características dos objetos que manipulam e exercitam o prazer de utilizá-los, fazendo descobertas sobre si mesmos e estabelecendo uma relação lúdica com o mundo, por meio do brincar. Com a conquista da independência, a criança deixa de ser “parte” (o que vivencia na barriga da mãe) para se tornar um “todo” (ela mesma, como um ser único).

 

E qual o papel do adulto na brincadeira da criança? Usamos muito o termo cuidar como reflexo do amar, relacionado ao cotidiano (dar comida, manter a higiene, zelar pela saúde…). No entanto, existe um cuidar que vai além, que é o de importar-se, diretamente relacionado ao brincar.

 

Há quatro atores fundamentais para exercer esse cuidado: os pais; os educadores; os profissionais que atuam pelo bem-estar dos pequenos (profissionais da saúde, da educação, assistentes sociais, cuidadores) e os gestores, as ONGs e todos que atuam para que o direito de brincar seja garantido.

 

A partir do momento em que o adulto assume o seu papel nessa relação, ele ajuda a criança a conquistar a interdependência. No entanto, uma parte dos pais acaba terceirizando suas atribuições, inclusive o brincar. Há vários motivos para isso, mas é importante entender que a criança precisa conhecer seu pai e sua mãe em situações diferentes das do cotidiano e é no brincar que isso acontece. No contexto da brincadeira, as relações se igualam, vale sonhar, imaginar, tudo é mais leve e lúdico. É também pelo brincar que o adulto demonstra que ele se importa com a criança do jeito que ela precisa sentir e entender.

 

“Somos uma sociedade de brinquedos e livros. É o presente de aniversário, o de Natal. Mas só isso não adianta. Os adultos perderam o seu repertório do brincar e por isso têm tanta dificuldade de interagir com a criança pela brincadeira. É preciso mudar esse olhar, importar-se com a criança, entrar no seu mundo”, reforça. E complementa: “Uma criança que não brinca é uma criança doente, porque não se sente importante”.

 

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