Especialistas orientam o que fazer em casos de pequenos acidentes domésticos

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Foto: Canstock.

Mães ou avós, muitas têm uma receitinha medicinal para os pequenos e comuns acidentes domésticos que as crianças costumam sofrer. Quando o machucado é simples, um pronto-atendimento pode ser feito em casa, sem a necessidade de consulta médica. No entanto, apesar de simples, é preciso cuidado para não tomar a atitude errada e acabar piorando o machucado. Veja como agir em cada caso.

Queimaduras

SIM – “De imediato, o que se pode fazer é manter o local afetado debaixo de água corrente e fria por 20 minutos, não utilizar mais nada na lesão e não romper bolhas”, ensina a pediatra Patrícia Figueira Martins, que indica levar a criança a um serviço de urgência assim que possível, para avaliar a gravidade e extensão da queimadura.

NÃO – “O que não deve ser feito são aquelas medidas que não têm fundamento técnico, como passar pasta de dente ou borra de café. Nem usar produtos químicos, como pomadas, pois a queimadura pode ser contaminada com esses produtos”, avisa o clínico geral Claudio Loredo.

Cortes e arranhões

SIM – O ideal é lavar com água e sabão neutro e secar bem a região afetada. “A aplicação de qualquer produto deverá ser feita somente com indicação médica e se o ferimento apresentar dor local, vermelhidão ou secreções”, indica a pediatra.

NÃO – Evite aplicar qualquer produto caseiro nas feridas, para não causar infecções.

Quedas e hematomas

SIM – “Em casos de quedas com contusões, aplique gelo no local da lesão”, recomenda Patrícia. Se perceber que o acidente (queda, batida, etc.) foi mais grave, quando a criança continua com a dor, por exemplo, leve-a a um pronto-atendimento para avaliação médica e complementar por meio de exames como raio-x.

NÃO – Evite oferecer analgésicos ou aplicar medicamentos sobre o hematoma. “De imediato, como não se saiba a dimensão da lesão, deve-se evitar quaisquer medicamentos”, destaca Claudio.

Ingestão de produtos de limpeza

SIM – Se souber qual foi o produto ingerido, pegue a embalagem com o rótulo e leve a criança e o produto o mais rápido possível para uma unidade de pronto-atendimento, onde será feita a orientação correta, já que cada produto exige um tratamento específico. “Em determinadas situações, o tempo do início do primeiro atendimento na urgência faz diferença no prognóstico do paciente”, salienta Patrícia.

NÃO – É fundamental não provocar o vômito, pois os produtos causam lesão na mucosa da boca, no esôfago e no estômago. “Provocando o vômito, os produtos vão causar a lesão duas vezes: na ida, quando ingeridos, e na volta, quando expelidos”, explica Cláudio. Também não é aconselhável a ingestão de qualquer produto líquido, como água ou leite.

Para ter em casa

Quem tem criança em casa sabe que é comum ela aparecer com um joelho ralado, um dedo cortado… Por isso, é fundamental ter uma caixa de primeiros socorros em casa e no carro, principalmente durante as viagens. Escolha uma caixa ou estojo fácil de abrir e guarde sempre no mesmo lugar, longe do alcance das crianças. A Universidade de São Paulo (USP) indica os objetos necessários para ter dentro da caixa:

– dois pacotes de algodão esterilizado;

– dois pacotes de gaze;

– uma caixa de curativos e um rolo de esparadrapo;

– termômetro;

– tesoura, pinça e alfinetes de segurança;

– analgésicos, antitérmicos, antialérgicos, remédios para cólicas e dores de barriga, comprimidos contra enjoos (indicados pelo médico);

– um vidro de substância antisséptica;

– água oxigenada;

– água boricada;

– vidro de substância antisséptica.

Fontes:
Claudio Loredo, clínico geral e coordenador da emergência do Hospital Balbino, no Rio de Janeiro
Patrícia Figueira Martins, pediatra e chefe da Internação Pediátrica do Hospital Icaraí, no Rio de Janeiro

 

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