Saiba como lidar com o Transtorno Opositivo Desafiador

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Birra, agressividade, comportamento desafiador e rebeldias fora do comum… Essas são algumas atitudes que os pais certamente já presenciaram em seus filhos.

No entanto, em alguns casos, elas passam do limite considerado aceitável e ganham outra roupagem, mais séria e comprometedora, o denominado Transtorno Opositivo Desafiador (TOD).

Segundo a psicóloga Denise Lavínia Mazetto, o transtorno é ainda pouco difundido, ele se caracteriza por comportamentos hostis, muita agressividade e desobediência crônica. “Geralmente a criança age contrariamente àquilo que se pede ou espera dela”, explica.

Os primeiros sintomas costumam surgir na idade pré-escolar ou na adolescência. Ainda não há uma definição clara para as causas dessa doença, mas os especialistas acreditam numa combinação de genética, ambiente familiar e até desequilíbrio de certas substâncias no organismo, como a serotonina.

Laudo técnico

De acordo com a psicóloga Patricia Adnet, para que a criança seja diagnosticada com TOD, é necessário que ela apresente pelo menos quatro dos seguintes sintomas:

  • perda de paciência

  • discussão com adultos

  • desafio ou recusa em obedecer a regras ou solicitações feitas por adultos

  • fazer coisas que aborreçam as pessoas de propósito

  • responsabilizar outras pessoas por seus próprios erros ou mau comportamento

  • incomodar-se facilmente com os outros

  • ficar com raiva, ressentimento ou ser vingativa ou maldosa.

Ela explica como os pais podem dissociar o distúrbio de padrões normais de comportamento. “Se mesmo com a educação dos pais, da escola e dos que estão ao seu redor a criança mantiver os mesmos padrões de conduta, com uma frequência longa, é necessário que seja feita uma avaliação por parte de um profissional, como o psicólogo, para a compreensão do quadro e posteriores orientações.”

Como é o tratamento

Segundo Denise, a linha de terapia mais indicada é a psicoterapia individual, na linha Cognitiva Comportamental. “Ela concentra-se no reforço seletivo e elogios ao comportamento apropriado, ao mesmo tempo em que ignora e não reforça o comportamento inapropriado, entre outros aspectos. É muito importante ainda, aconselhamento e treinamento direto para os pais, acerca da habilidade de manejo com a criança”, ressalta.

Os cuidados são intensos e exigem muito da família. Geralmente, há uma associação de acompanhamento psiquiátrico, psicológico e, em alguns casos, é necessário o uso de medicamentos.

Como os pais podem lidar com os filhos que apresentam TOD:

  – Incentivar a criança a praticar esportes coletivos, para auxiliar na socialização e na formação de conceitos como disciplina e respeito;

     – Explicar claramente regras e instruções;

     – Propor acordos de forma assertiva;

     – Elogiar atitudes positivas;

     – Evitar punições físicas;

     – Retirar privilégios em casos de agressividade;

    – Realizar momentos com toda a família, pois a integração familiar é essencial para o manejo do transtorno

 

Fonte: Denise Lavínia Mazetto, especialista em neuropsicologia e reabilitação neuropsicológica pelo Cepsic/Hospital das Clínicas de São Paulo.
Patrícia Adnet, psicóloga especializada em terapia cognitivo-comportamental

 

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