Pais devem evitar medir forças na frente da criança

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Ao se falar em educação do filho, todas as diferenças devem ficar em segundo plano e os pais precisam falar a mesma linguagem. Mesmo que discordem em um ponto ou outro, o ideal é que estejam se apoiando mutuamente na linha de frente da batalha, ou seja, na hora de passar valores e ensinar seu filho a se tornar um ser humano de respeito, feliz e bem-resolvido.

 “Ter uma linha semelhante na educação da criança é bastante importante para que ela não viva em um ambiente de tensão, muito possivelmente se achando a causa da desavença dos pais”, diz a psicóloga Raquel Leandro da Rocha.

Pai e mãe não podem tirar a autoridade um do outro na hora de ensinar. Se o pai diz que a criança não pode assistir à televisão naquele horário, a mãe tem que zelar para que essa ordem seja seguida, mostrando para o filho que a obediência ao pai deve ser levada a sério.

“A criança se sentirá segura e assim, tranquila, se perceber que todos envolvidos em sua educação são coerentes ou estão unidos pelo seu bem, que existe cumplicidade e respeito entre os pais”, explica a psicóloga Marcela Caiado de Castro.

A técnica de segurança no trabalho Susan Braga de Souza, mãe de Davi, 5 anos, conta que ela e o pai do menino, Gabriel Bartorelli, procuram sempre respeitar o modo como cada um educa o filho. “Procuramos conversar para tentar seguir o mesmo caminho e não deixar nosso pequeno perdido. Mesmo quando não concordamos com o tipo de correção que esteja sendo feito na hora, não interferimos para não tirar a autoridade do outro. Depois, quando o Davi não está perto é que conversamos entre nós o que não concordamos e o que precisa melhorar”, destaca.

Quando ela percebe que o ex-marido está exagerando na bronca, procura ser discreta e sinalizar. “Nunca revertemos a ordem do outro, para não tirar a autoridade. Mas quando eu vejo que está um pouco exagerado, dou uns sinais para o Gabriel ´pegar mais leve´, daí ele dá uma maneirada”.

Diferenças são normais, mas…

As pessoas não são iguais e, portanto, não pensam de forma semelhante o tempo todo, certo? É bastante improvável que os pais concordem em todos os pontos no que diz respeito à educação dos filhos. “Quando esses pais têm maturidade suficiente para lidar com a questão, eles deixam claro para a criança que a autoridade do companheiro não está sendo questionada apenas por discordarem em certa questão, ou seja, a criança não é estimulada a escolher um lado em detrimento do outro e, assim, pode continuar a receber o amor do pai e da mãe livremente. É como se dissessem um para o outro: ‘ela é sua mãe (ou seu pai) e eu a respeito por isso’. A criança sempre percebe a dinâmica do relacionamento dos pais e perceberá que o respeito pela pessoa do pai e da mãe está acima da discordância”, enfatiza Raquel.

Ela explica que, quando os pais discordam na frente do filho de forma séria, ele tende a se responsabilizar pela desarmonia. Assim, a criança ficará confusa e angustiada e tenderá a se identificar com um dos lados, entrando em uma questão que não cabe a ela resolver e nem participar.

É importante que os pais assumam a responsabilidade pela resolução da questão e conversem sem a presença da criança para chegar a um acordo. “Vale lembrar que os pais não devem fazer comentários maliciosos e tendenciosos a respeito do parceiro ou da ideia do parceiro, na frente da criança”, diz a psicóloga.

De acordo com ela, a criança deve continuar sentindo que pode receber amor do pai e da mãe e que pode dar amor a eles também, sem ofender nenhum dos dois progenitores. “O direito ao amor e ao respeito deve ser mantido mesmo quando os pais discordam entre si”, destaca.

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Bonzinho x autoritário

Na maioria das famílias, basta um pouco de observação para descobrir quem é o pai mais “bravo” e o mais maleável. Geralmente há o que dita as regras e o que opta pela negociação. Os dois, quando são fieis aos seus conceitos de educação e têm um objetivo claro na criação do filho, estão agindo de forma correta, já que os pequenos precisam das duas coisas: do limite mais rígido e da facilidade do diálogo.

Para Raquel, não há certo e errado nesse contexto. “Por vezes um pai mais maleável é capaz de conhecer melhor a natureza desse filho, entender seu temperamento e orientar melhor, baseado na realidade e não na imagem idealizada do filho perfeito. Mas tudo depende da circunstância, do momento em que o filho está passando e do temperamento. Filhos precisam de limites, de parâmetro para o que é certo e o que é errado. Em determinadas situações, como quando a criança precisa aprender limites, um pai mais firme pode auxiliar mais do que um mais maleável. Tudo é relativo, mas o respeito e o amor devem estar sempre presentes.”

Susan diz que, pela lógica, ela é considerada a mais enérgica com Davi. Isso porque o menino passa a semana com ela e as correções do dia a dia são constantes para manter a ordem no lar. Porém, a maneira como o pai aborda é mais dura. “O Gabriel assusta mais. Na hora da bronca, é aquela voz alta, o jeitão mais bruto…”.

 

 

 

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