Saiba como driblar a alergia alimentar

O número de crianças com algum tipo de restrição alimentar vem crescendo no mundo. Segundo um estudo feito nos Estados Unidos, pela Universidade Northwestern, em cinco anos o índice de internações e consultas hospitalares provocadas por crises alérgicas alimentares em meninos e meninas aumentou quase 30% ao ano.

Todos chegam aos consultórios e hospitais apresentando um ou mais sintomas característicos da alergia, tais como sangue nas fezes, cólicas, diarreia, constipação e vômitos. “Outras alergias, tipo dermatite atópica e alergias de pele no bebê nos primeiros meses de vida, também são sintomas”, explica a médica gastroenterologista Cristina Targa Ferreira, presidente do Departamento de Gastro Pediatria da Sociedade Brasileira de Pediatria.

O cuidado na escola

Segundo a nutricionista Mariana Del Bosco, membro do Grupo de Pesquisa de Dificuldades Alimentares na Infância e Adolescência da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), é importante manter uma relação de confiança entre familiares e escola, com constante troca de informação de ambas as partes. “Qualquer dieta de restrição traz esse impacto nutricional e social. Mas, para aquelas crianças cujos desfechos das reações podem ser graves, partimos do princípio que haverá também um grande impacto emocional”, destaca a especialista. “Isso pode, eventualmente, nortear tomadas de decisões para escolhas mais ‘radicais’, no sentido de minimizar os riscos, mesmo que isso signifique até mesmo adiar o ingresso na escola”, complementa.

Alergia x intolerância 

Pode até parecer a mesma coisa, mas não é! Intolerância à lactose significa que a pessoa tem dificuldade em digerir o açúcar presente no leite. “O maior erro que se vê por aí é dizer que a criança tem ‘alergia à lactose’. Isso não existe!”, salienta a gastroenterologista Cristina Targa Ferreira. Normalmente, adultos e idosos sofrem com intolerância, já que é natural o organismo perder, com o passar dos anos, a enzima capaz de digerir a lactose.

 Já a alergia alimentar é um quadro clínico diferente, sendo bastante comum em crianças, devido à “imaturidade” do intestino. Nesse caso, o organismo produz anticorpos para atacar aquela proteína ingerida. Mas, ao excluir a proteína agressora da dieta – base do tratamento para alergia alimentar –, o intestino se recupera e se fortalece, tornando-se, assim, capaz de enfrentar essa substância posteriormente. Dessa forma, todos que sofrem com alergias alimentares em geral tornam-se tolerantes antes de completar cinco anos de idade.

Proteção extra 

* Leia atentamente os rótulos de alimentos, procurando, inclusive, sinônimos da substância que causa alergia à criança. Se preciso, ligue no SAC da empresa para ter certeza de que o produto seja livre do composto alergênico.

 * Mesmo que já tenha o hábito de comprar determinado produto, continue verificando seu rótulo. É comum a composição de alimentos industrializados mudar.

 * Marque uma reunião na escola para salientar a importância de que a dieta restritiva seja seguida. Vale ainda traçar um plano de emergência caso ocorra uma ingestão acidental.

 * Mantenha todas as pessoas que atuam diretamente na vida da criança (avós, tios, irmãos e amigos mais próximos) avisadas sobre a sua alergia alimentar.

Texto de Natália Ortega

Fontes: Mariana Del Bosco, membro do Grupo de Pesquisa de Dificuldades Alimentares na Infância e Adolescência da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Cristina Targa Ferreira, presidente do Departamento de Gastro Pediatria da Sociedade Brasileira de Pediatria.

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