Vícios infantis: saiba como acontece e até quando esta fase é normal

Seu filho não quer saber de largar a chupeta? Ou então carrega para todo lado aquele paninho desgastado, sujinho e amassado, que não larga nem para passear? Se essa cena lhe parece familiar, saiba que não está sozinha nessa causa. Muitas mães e pais vivenciam com intensidade essas atitudes dos filhos. Mas até que ponto isso é considerado saudável? Ou a partir de que momento pode ser designado como um vício?

Chupar o dedo ou a chupeta, carregar a “naninha”, um bichinho de pelúcia, enrolar cabelo, mexer na orelha, etc. são alguns dos comportamentos e objetos com os quais as crianças costumam criar dependência emocional. “Quando se sentem desamparadas ou inseguras, lançam mão de seus apegos”, diz a psicoterapeuta Aline Gomes.

Como isso acontece?

Isso ocorre porque o bebê sente necessidade de minimizar a angústia que aparece quando está longe da mãe, do pai ou do cuidador de sua confiança. Nem precisa ser algo que dure horas. Se ele simplesmente acordar e perceber que a mãe não está por perto já é o suficiente para a angústia brotar. “Contudo, mamães, por favor, entendam que essa angústia não é ruim. Não precisa viver agarrada ao bebê para evitar que ele se sinta desta forma. É que o bebê nasce acreditando que mamãe e ele são um ser único. Com o passar dos meses ele percebe ser distinto da mãe. É aí que surgem as primeiras – e necessárias — angústias para o desenvolvimento saudável do indivíduo”, frisa Aline.

Até quando?

Para alguns especialistas, uma boa idade para o abandono desses objetos de apoio seria por volta dos 3 anos; outros dizem que até os 5 anos é tolerável. Já Aline ressalta que não há idade certa para largá-los. “É comum a criança insinuar não querer mais o objeto, porém, ao se ver diante de alguma situação delicada – como doenças, mudanças ou rupturas – pode desejar tê-lo de volta. Nesses momentos mais delicados, a presença efetiva de um cuidador-referência é de suma importância para que possa transpor o período com mais segurança”, diz.

Ela explica que o desapego acontece de forma natural. “Ela começa a dar sinais de desinteresse pelo objeto e, simultaneamente, aparenta estar com mais autonomia e segurança. O fato de conseguir expressar os sentimentos – verbalmente, por exemplo – também contribui para a menor dependência do objeto.”

Mas não é fácil!

Nem sempre os pequenos abandonam facilmente esses ritos. Mesmo com inúmeras tentativas dos pais, eles insistem no hábito, fazem birra, choram e sentem-se inseguros em deixar de lado seus “melhores amigos”.

Aline diz que, infelizmente, não há uma “receita de bolo pronta” para ajudar os pais nesse momento. “A boa notícia é que elogios quando a criança consegue ficar sem o objeto, por exemplo, costumam ajudar no desuso. Evitar retirar em momentos delicados (mudança, separação, doença de algum membro da família, chegada de um irmão, etc.) é fundamental para o sucesso do desapego e para a segurança emocional da criança a médio e longo prazos.”

Texto de Rose Araujo
Entrevistas: Jacque Lopes

Fonte: Aline Gomes, psicoterapeuta.

 

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