Crianças são as maiores vítimas do alto consumo de açúcar

Pare e pense: quantas colheres de açúcar seu filho coloca no leite? Quantos saches são adicionados ao suco de fruta? E o quanto há naquele pacote de bolacha consumido no lanche da tarde? Não sabe? Pois é bom você redobrar a atenção a essas quantidades. Seja em colheradas extras de açúcar ou escondido em alimentos industrializados, a verdade é que o brasileiro tem exagerado e muito no consumo da substância. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em média são ingeridos 150 gramas de açúcar por dia – três vezes mais do que o limite diário.

As crianças são as maiores vítimas desse alto consumo, que tem se refletido diretamente no crescimento desenfreado da obesidade infantil. “O excesso de açúcar é transformado em gorduras no corpo, podendo levar ao ganho de peso, obesidade e gordura no fígado”, salienta a nutricionista Camila Ribeiro Gomide Queiroz.

Mas não é apenas o ponteiro da balança que tem assustado os especialistas. O número de crianças com doenças como hipertensão e altos índices de colesterol e triglicerídeos tem crescido exponencialmente, assim como o diabetes tipo 2. “O alto consumo de alimentos doces e industrializados, que têm açúcares escondidos na preparação, causa, em longo prazo, a resistência à insulina, que leva ao desenvolvimento do diabetes tipo 2”, completa Camila.

Uma criança entre dois e cinco anos deve ingerir o equivalente a uma colher de sopa cheia de açúcar ao dia. Para as que têm entre seis e dez anos, a indicação é de uma colher e meia. E essa quantia vale não apenas para a substância adicionada à comida, mas também àquela presente em alimentos industrializados, como biscoitos doces, refrigerantes e sucos de caixinha.

De acordo com dados da OMS, a quantidade de açúcar nos alimentos processados dobrou nos últimos quinze anos. Por isso, vale a pena olhar com atenção os rótulos dos alimentos, pois, muitas vezes, ele pode vir disfarçado por codinomes diferentes, como xarope de milho, frutose, sacarose, glicose, adoçante de milho, levulose, mel e dextrose. “Se o açúcar estiver entre os três primeiros ingredientes, fique longe do produto”, orienta a nutróloga Patricia Savoi Canineu.

É importante que os pais tomem para a si a responsabilidade de oferecer uma alimentação equilibrada e de qualidade às crianças. “Afinal, não são elas que fazem as compras do supermercado, feira ou quitanda; portanto, se não quer dizer ‘não’ em casa, não compre”, destaca Patricia.

Esse cuidado deve ser ainda mais restritivo com crianças que não completaram dois anos de vida, pois, além de atrapalhar a absorção de nutrientes importantes para o organismo, o açúcar interfere no desenvolvimento do paladar infantil. Isso porque a criança já nasce com o paladar doce, e quando adicionamos mais açúcar aos alimentos, elevamos o nível de exigência de doçura do paladar dela. “O estímulo ao aleitamento materno e a introdução de alimentação complementar adequada a partir dos seis meses auxiliam a criança, desde a fase precoce da vida, a aprender a gostar do amargo, do azedo e do umami*”, detalha a pediatra Fernanda Luisa Ceragioli Oliveira.

 

 

Fontes: Camila Ribeiro Gomide Queiroz, nutricionista e professora do curso de Educação Física da Faculdade Anhanguera;
Fernanda Luisa Ceragioli Oliveira, pediatra;
Patricia Savoi Canineu, nutróloga.

 

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