Saiba como ensinar tolerância às crianças

É preciso ter em mente o real significado de tolerância. Ao contrário do que algumas pessoas pensam, tolerar não é um ato de generosidade, de dar espaço para o outro ou de se privar para que o próximo tenha sua chance. “É apenas o reconhecimento necessário de que no espaço público o direito de ocupação é de todos. Portanto, para estar com os outros é preciso enfrentar a condição de perder um pouco do seu”, afirma a psicanalista Ilana Katz. Em outras palavras: é aceitar o convívio em conjunto.

Para as crianças pequenas o conceito é algo complexo de se entender. Porém, elas assimilam facilmente o que é aceitação e rejeição – neste caso, a intolerância será percebida como rejeição. “As crianças têm dificuldade em lidar com esse sentimento de rejeição, e o associam à falta de afeto. Por isso, é importante que os pais expliquem e exemplifiquem que a tolerância é baseada na compreensão do outro, e que mesmo discordando de uma opinião, podemos continuar a gostar da pessoa”, explica a psicóloga Rita Calegari.

 

Você como exemplo

Pai, mãe, avôs, tios, professores e os demais adultos que fazem parte do dia a dia da criança são uma grande referência a elas. Assim, o primeiro passo para trabalhar o respeito alheio é ser o exemplo. “A experiência da tolerância é o exercício da cidadania que apresentamos a nossos filhos muito mais por transmissão do que por ensinamento”, destaca Ilana.

Segundo Rita, a tolerância deve ser uma competência dos pais que se passa aos filhos por meios das atitudes e discursos, porém, evitando os conceitos formais e investindo em exemplos práticos. “Logicamente que todos nós temos fragilidades, alguns preconceitos ou posturas mais radicais quanto a certos temas. Mas ser consciente deles já é um começo”, esclarece a profissional. Mesmo os pais separados, é essencial que eles cheguem a um acordo entre temas principais.

 

O papel da escola

Fazer amizades é uma verdadeira prática de tolerância. E isso as crianças precisam encarar logo nos primeiros dias na escola. Por isso, os educadores têm um papel fundamental no processo de conscientização. “O que faz a criança sofrer é a consequência da intolerância, que é a rejeição. Ser rejeitado pelos amiguinhos da escola é uma das experiências mais duras de se superar na infância”, destaca Rita.

Por isso, na hora de escolher a escola da criança, procure saber como a instituição aborda as habilidades de convívio, se há alguma metodologia e como ela é colocada em prática. “A escola e o professor também transmitem sua posição a partir do modo que lidam com concordâncias, discordâncias e de como administram a diversidade no espaço comum. Como a escola lida com a diversidade? Como propõe sua relação com a cidade? Quais espaços os temas de direitos humanos têm na grade curricular? Essas são algumas perguntas que podem ajudar”, aponta Ilana.

Rita destaca que no caso de haver atitudes intolerantes por parte dos alunos, a escola deve estar preparada para lidar com a situação de forma inclusiva: chamando pais e crianças para o entendimento dos motivos da intolerância e agir junto para revertê-la em sentimentos positivos. “Pais e mestres não podem, jamais, se isentar de suas responsabilidades diante de um assunto como esse”, afirma.

Colocando em prática

Marco Gregori, da Rede VIAe, destaca algumas ações que ajudam as crianças a lidar com o diferente.

1 – Dê o exemplo. Mostre que você (mãe, pai, avó, avô, tio, tia, padrinho, madrinha) sabe lidar com opiniões distintas da sua, com maturidade e respeito.

2 – Ensine empatia. É fundamental ajudar as crianças a se colocarem no lugar do outro e a entenderem que há lógicas distintas.

3 – Lembre-se de situações positivas de tolerância. Traga à memória dos pequenos casos em que eles lidaram com o diferente de forma tranquila, como o amiguinho de outro time e o primo de outra religião.

4 – Ajude a refletir. Questione as crianças se faz sentido que elas maltratem outras crianças só porque elas pensam diferente. Ao pensar racionalmente, a resposta fica óbvia.

 

Texto de Natália Negretti 

Fontes: Ilana Katz, psicanalista especialista em psicologia e educação;
Marco Gregori, criador da Rede VIAe;
Rita Calegari, psicóloga da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

 

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