Educação Emocional e Social: mais do que incluir, é preciso criar um ambiente inclusivo

Há quase 10 anos, o Brasil implementou a lei da Educação Inclusiva, que determina que todos os alunos com necessidades educacionais especiais sejam matriculados em turmas regulares. Recentemente, o tema foi abordado na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) com o título “Desafios para formação educacional de surdos no Brasil”, e gerou grande repercussão na mídia nacional. Apesar disso, a inclusão de alunos ainda gera insegurança em muitos pais e professores.

Tudo isso porque, durante séculos, o mundo tratou as crianças com deficiência como doentes que precisavam de atendimento médico, não de Educação. Foi só nos anos 90 que as velhas ideias assistenciais foram suplantadas pela tese da inclusão. Procurava-se garantir o acesso de todos à Educação. Documentos como a Declaração Mundial de Educação para Todos, de 1990, e a Declaração de Salamanca, de 1994, são marcos desse movimento. 

À luz desses marcos de inclusão, a escola deve se capacitar para descobrir as competências dos estudantes com deficiência, em um enfoque apreciativo.  Antes, o foco científico era o de checar limitações, valorizando as diferenças pelas ‘falhas’ e déficits. Hoje, deve-se sondar o que cada aluno conhece para determinar como pode contribuir com o coletivo. Assim, a inclusão estimula o sistema educacional a se repensar, a descobrir novas formas de aproveitar os potenciais de cada um para ensinar, proporcionando formas mais criativas e humanas de aprender.

A inclusão, portanto, ensina. Não necessariamente os conteúdos previstos nos currículos. Para o aluno com necessidades educacionais especiais não há necessariamente aprendizagem de conteúdos em série. Porém, ele pode estar integrado ao grupo em alguns aspectos do desenvolvimento e necessitar de outras estratégias para se desenvolver em um meio estimulante e desafiador. Desse modo, quando há adaptações e profissionais envolvidos, esforçados e amorosos os caminhos da inclusão para atender à diversidade costumam beneficiar todos e melhorar a qualidade do ensino. 

Isso porque, ao passo que o aluno com deficiência é exposto a um ambiente mais inclusivo, estimulante e semelhante à realidade – que demanda constantes interações sociais regidas por valores como aguardar a vez, expressar opiniões, participar de atividades em grupo -, os demais educandos  também tem a grande oportunidade de praticar e desenvolver características humanas fundamentais como empatia, tolerância, compreensão e práticas que envolvam cuidado e carinho com o outro, que é sempre diferente.

Engana-se quem pensa que esse encontro com o diferente ocorre somente quando os alunos com deficiência são incluídos. Criar um ambiente inclusivo envolve preparar para o encontro com todas as diferenças, sejam étnicas, culturais, sociais, dos costumes e de opiniões. Pois, se somos unidade como espécie humana, somos também profunda diversidade como indivíduos únicos. Todo encontro com o outro é, necessariamente, um encontro com o diferente.

É claro que essas necessárias mudanças ainda são muito desafiadoras. Ao mesmo tempo que a inclusão pode desenvolver essas características tão desejadas nos educandos, ela também as demanda. Desse modo, se o ambiente for realmente inclusivo, com um clima emocional de tolerância, aceitação, respeito e cuidado mútuo, o aluno com qualquer tipo de deficiência poderá se inserir no grupo por si mesmo, com autonomia, sem a necessidade de “ser incluído” por terceiros.

Desta forma, a Educação Emocional e Social, desenvolvida por meio da Metodologia Liga Pela Paz, surge como um valioso recurso que promove em suas atividades psicopedagógicas a inclusão, com a finalidade de construir uma sociedade menos excludente e mais unificadora e que reconheça a singularidade na diferença.

A Educação Emocional e Social é um processo educativo, regular e permanente, que busca desenvolver consciência, autonomia e regulação emocional, por meio do aprendizado de competências emocionais. Tudo isso gera uma melhoria da relação com o outro e, consequentemente uma sociedade mais pacífica onde o encontro com o diferente se torna uma grande chance de aprender a ser feliz.

Fonte: Inteligência Relacional.

 

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