Ler para as crianças reduz repetência na adolescência

Muitas coisas já foram ditas sobre os benefícios da leitura para as crianças: aproxima as famílias, enriquece o vocabulário, acalma os pequenos. Um levantamento de estudos realizado pela Fundação Itaú Social destaca, além disso, os efeitos sobre o desenvolvimento dos indivíduos até a idade adulta. Um deles é um alento para as famílias que já estão de olho na adolescência e seus conflitos: a leitura parental durante a primeira infância reduz os índices de repetência por volta dos 14 anos de idade.

O documento “Impacto da leitura feita pelo adulto para a criança, na primeira infância, para o desenvolvimento do indivíduo” traz outros estudos que demonstram efeitos no longo prazo. Percebe-se que o aprimoramento das habilidades de leitura aos sete anos afeta o nível socioeconômico que o indivíduo obterá aos 42 anos. Além disso, o incentivo à leitura na primeira infância está entre os fatores determinantes dos escores de inteligência, da motivação acadêmica e dos anos de escolaridade que o indivíduo terá em sua vida.

Entretanto, é importante estruturar uma rotina e promover a leitura de forma lúdica e prazerosa, para que a criança possa desfrutar plenamente essa atividade. “Ela precisa ser incentivada a construir uma relação própria com os livros para constituir-se como um leitor. O hábito de visitar livrarias e bibliotecas, que costumam manter espaços divertidos para as crianças, onde outros leitores servem como exemplo, é um bom caminho”, frisa a coordenadora de Mobilização Social da Fundação Itaú Social, Claudia Sintoni.

A leitura feita pelo adulto para a criança oferece, ainda, uma boa oportunidade de convivência, onde o vínculo afetivo pode ser fortalecido. Estudos demonstram também que realizada na hora de dormir, a leitura de histórias melhora a qualidade e a duração do sono, além de ajudar na diminuição de índices de ansiedade e agressividade nas crianças.

Entre os aspectos não cognitivos, o levantamento confirma que a leitura mediada tem o potencial de diminuir os efeitos negativos causados em crianças expostas a risco (familiar e/ou social) durante o primeiro ano de vida, como menor desempenho cognitivo/escolar na faixa dos cinco anos, baixo nível de atenção ao realizar uma tarefa e problemas de comportamento. E traz também aspectos curiosos: os livros de ficção melhoram o sentimento de empatia e a capacidade de colocar-se no lugar do outro.

O levantamento de estudos “Impacto da leitura feita pelo adulto para a criança, na primeira infância, para o desenvolvimento do indivíduo” considerou artigos científicos publicados desde o início da década de 1990, que contavam com grande número de citações, demonstrando dados recorrentes e tendências de resultados.

Fonte: Claudia Sintoni, coordenadora de Mobilização Social da Fundação Itaú Social.

 

 

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