Anemia atinge principalmente crianças, mulheres e grávidas

A anemia, doença que reduz a quantidade de glóbulos vermelhos no organismo, responsáveis pelo oxigênio dos órgãos, tem várias causas, mas a mais frequente é a deficiência de ferro e não é normal em nenhuma faixa etária. Pode ser diagnostica em qualquer pessoa, mas principalmente grupos vulneráveis, como crianças menores de três anos de idade, mulheres e gestantes.

A deficiência de ferro (DFe) é a alteração hematológica mais comum, afetando 20% a 30% da população mundial (cerca de 2 bilhões de pessoas). Uma publicação da OMS, que estudou 1,6 milhão de pessoas de 93 países no período entre 1993 e 2005, constatou que 24,9% apresentavam o diagnóstico de anemia (crianças em idade pré-escolar 47,5%, crianças em idade escolar 25,4%, mulheres em fase reprodutiva 30,2%, gestantes 41,8%). No Brasil, a prevalência de anemia encontrada foi de intensidade moderada e grave para gestantes e pré-escolares, respectivamente.

Segundo o hematologista Rodolfo Cançado, quando falta ferro no sangue, falta oxigênio e isso traz consequências negativas para a saúde. “As crianças podem ter dificuldade de aprendizagem, infecções com mais frequência, atraso de crescimento. Já os adultos, toleram menos os exercícios, têm menor rendimento no trabalho, podem ter palpitação, falta de ar, desânimo, às vezes simulando até um quadro de depressão, além de queda de cabelos, unhas mais fracas e quebradiças”, ressalta.

Tratamento e cuidados

O tratamento com medicamentos contendo ferro (sais ferrosos ou férricos) demora pelo menos 90 dias, podendo se estender até seis meses.

Dicas simples podem mudar a rotina e sintomas de uma pessoa que necessita de absorção de ferro como:

– Dar preferência para as carnes em geral (sobretudo carne vermelha –fígado, morcela); cozinhar em panela de ferro e tomar um copo de suco de frutas cítricas (laranja, limão, acerola) antes ou durante a alimentação. O uso de vitamina C, laranja, limão, acerola, aumentam a absorção de ferro desde que ingeridos antes ou durante a alimentação.

– O leite de vaca não é fonte de ferro e até prejudica a absorção, a não ser que seja fortificado industrialmente, mas o leite materno, sim é fonte.

Orientação nutricional

É importante ressaltar que o ferro dos alimentos de origem animal, 20% a 30% são absorvidos no intestino, enquanto que o ferro dos alimentos de origem vegetal (ferro não-heme), a taxa de absorção é de apenas 1% a 7%.

 Orientações gerais:

– Ingestão de carnes em geral + suco de fruta com vitamina C;
– Não misturar leite ou chá na mesma refeição;
– Evitar chocolate como sobremesa;
– Evitar cereais integrais;
– Utilizar panela de ferro para preparo das refeições.

 

Fonte: Rodolfo Cançado, hematologista e membro do Comitê de Glóbulos Vermelhos e do Ferro da ABHH.

 

 

 

 

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